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domingo, 6 de março de 2011

Rádio Atitude Jovem fez a cobertura do Summer Rock 2011 em Ijuí




































































Eram 14 horas do sábado, dia 5 de março, quando saímos de Cruz Alta, com destino a cidade de Ijuí, para fazer a cobertura do 1° Summer Rock 2011. Viajamos em uma van, contratada pelos camaradas da banda Ato IV de Júlio de Castilhos. Chegando ao local um pouco afastado da cidade, logo pudemos perceber alguns aviões sobrevoando as alturas, pois o local do festival é no Hangar Paranhos, clube destinado a esportes aéreos e agora ao rock n roll. Nessa vibe positiva a galera foi chegando aos poucos e armando as barracas, eaí já percebemos de cara que quem gosta realmente do rock underground, esteve por lá e isso é o que importa, já que muitos reclamam que as coisas não acontecem no movimento, mas na real nem ao menos comparecem aos eventos que são realizados na cena. Como algumas bandas desistiram do evento, deixando na mão a organização, a segunda noite do festival começou a partir das 21 horas, com a abertura de uma banda conhecida na cena dos festivais, a Ato Iv de Júlio de Castilhos, que começou aquecendo os motores do rock, junto com o fiel público presente, trazendo sons com qualidade e influências do Rock Clássico, metal e do punk, mesclando músicas próprias e covers, onde destacaram-se os sons nacionais, por exemplo o da canção aquela do Raimundos e foi neste show que pudemos perceber as primeiras rodas punks, ao sons covers da antiga Tequila Baby.

Após subiu ao palco a banda Casa Mata de Santo Cristo, que trouxe clássicos do grunge, fazendo a galera relembrar de ótimas bandas dos anos 90, como Nirvana, Alice In Chains e Silver Chair. Além dos grunges, rolaram clássicos do rock n roll das antigas e a galera literalmente veio abaixo com os ótimos solos do guitarrista da banda, em um cover do Dire Straits. Realmente fazia muito tempo que uma banda não me surpreendia como esta. Parabéns a essa gurizada bem nova, que mantêm o legado do rock vivo, em meio a uma “new generation” de consumo de lixo cultural. Não posso esquecer de dar destaque também ao vocalista, que conseguiu agitar a festa da galera, através de uma ótima performance de palco. O baixista e o baterista também merecem um elogio por aqui, principalmente pela sincronia de ambos na canção do Nirvana Long Act, com uma introdução devastadora. Logo subiu ao palco a banda Black Sabbath Cover de Ijuí, que realmente fez os covers em cima, trazendo os clássicos da banda, puxados pelo vocalista Xímú e o baterista Moíta, militantes antigos da cena rock.

A seguir, subiu ao palco a banda Canela de Cusco, grupo que ajudou a organizar o festival e mostrou músicas escrachadas, com muita irreverência e atitude, através de sons clássicos e do lado b da música punk, trazendo para frente do palco as segundas rodas punks da noite, mostrando muita interação com o público da casa.

Depois subiu ao palco a banda Stereo Junkies, que trouxe clássicos do rock n roll das antigas, agitando intensamente a galera, destacando-se o bom vocal da banda e as loucas linhas de baixo do Gelol, um dos organizadores do evento.

Como algumas bandas não compareceram ao evento, a organização teve a idéia de suprir esse espaço, convidando alguns integrantes do Black Sabbath cover de Ijuí, entre outros músicos da antiga, que estavam no local. Isso lá pelas 4 e meia da manhã. Após fomos embora, pois todo o carnaval tem sem fim, inclusive o do rock. Portanto se alguém puder continuar esta história, pode ficar a vontade ao nos informar o fim da noite e o começo do domingo, deixando seu comentário aqui no blog.

Após, seguimos de carona com três camaradas cruzaltenses da antiga: o Ricardo, a Carina e o Diego Canelles, o motora que com muita gentileza nos largou na porta de casa, isso lá pelas 5 e meia da manhã.

Segundo o baixista da banda Stereo Junkies de Ijuí e um dos organizadores do festival, “temos muita influência do rock das antigas, principalmente do fim dos anos 60 e começo dos anos 70. No momento compomos duas músicas próprias e estamos construindo o instrumental e a nossa ideia é que em julho consigamos gravar a nossa primeira demo. Além de mim no baixo, temos na formação Gaspar nos vocal, Derli na guitarra e o Elias na bateria, todos engajados em levar o rock n roll clássico pra galera".

Gelol, ainda desabafou falando sobre a cena independente "esta ocorrendo uma desvalorização do estilo na atualidade, pois existem muitas coisas comerciais que vendem mais e por isso esses fatos acabam ocultando o rock n roll mais antigo".


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Fest Malta: Paz, amor, cultura e empatia marcaram os três dias do evento e a Rádio Atitude Jovem esteve por lá





























































































































































































































































































































































Ao recebermos o convite da organização do Fest Malta para realizarmos a cobertura do evento em Ibarama - RS, a equipe da rádio, eu Diones Biagini e Paulo Peruzatto, resolvemos viajar até lá, de van, para fazermos a cobertura pela Rádio Atitude Jovem, deste importante festival para a cena independente do estado. Embarcamos no bus Cruz Alta - Benjamin Nott (bairro afastado da cidade), às 12 horas e 30 minutos, do dia 22 de janeiro de 2011, para irmos até o trevo do Salto do Jacuí, onde esperamos 3 horas em um posto próximo ao trevo. Chegando a van contratada pela banda Camarada - Ato IV de Júlio de Castilhos, seguimos uma verdadeira viagem, regada a muito bom humor e loucura, nas belíssimas paisagens e perigosas curvas da região Centro Serra. Ao enxergarmos do alto do cerro o Balnéario Lindos Lírios, já pudemos sentir o clima do festival que nos aguardava. Logo fomos muito bem atendidos pela organização, que nos trouxe todas as informações sobre o festival e estrutura do Balneário, onde ficamos bem instalados. E aqui estava apenas começando o melhor festival de verão, em local aberto que eu já presenciei evento este que conseguiu inserir, debates sobre a cena independente, através do Circuito Fora do Eixo, teatro, no palco fora do eixo e muitas bandas de qualidade.

Durante o sábado também realizamos na sala de imprensa do festival, uma entrevista com o Pata vocalista e guitarrista da banda Super Fusa e produtor cultural do Fest Malta, que nos falou primeiramente sobre os planos da banda Superfusa "a ideia é que o nosso cd seja gravado em março, já que com toda a correria que tivemos com o Fest Malta, isso não pode acontecer nos últimos meses. Mudamos de formação e agora passei a cantar também, algo que fez com que eu tivesse que evoluir bastante e isso foi bom. Já sobre o Fest Malta, conseguimos fazer um grande festival que vai ficar para história da cena independente, conseguimos unir vários elementos culturais, nestes três dias e isso foi muito bom e como se não bastasse fechamos com chave de ouro, com o show do Wander Wildner".

Regados a muito Rock n Roll e piscina, em um ambiente com muita paz, amor e empatia, o público começou a assistir os primeiros shows do sábado, onde durante a tarde e a noite passaram várias bandas com repertórios baseados em músicas próprias do estilo indie rock, exceto algumas que trouxeram rock n roll instrumental e a banda “finaleira” da noite, que trouxe alguns clássicos do Rock n Roll, inclusive trazendo a tona covers de Led Zeppellin, isso por volta das 5 da madrugada.
Ao amanhecer de domingo, pudemos ver muitas barracas fechadas e algumas carinhas perambulando pelo local do evento, uma vez que a noite havia sido longa pra galera do Rock n Roll, que ficará curtindo até o amanhecer.

Já eram quase 11 horas da manhã quando a Rádio Fest Malta (Uma espécie de Rádio Poste), começava a dar as primeiras informações sobre o evento, intercaladas com sonzeiras da década de 70, fazendo com que os roqueiros se sentissem como se estivessem no woodstock, só que dos pampas. Enquanto alguns curavam a ressaca na piscina, outros jogavam sinuca e esperavam o almoço, recarregando as energias para o começo da tarde, quando muitas bandas trouxeram Clássicos do Rock n Roll dos anos 70, além da que trouxe reggae no começo da tarde pra galera curtir a paz do local.

Durante a tarde também realizamos a entrevista com o músico Wander Wilder, que nos falou primeiramente sobre a cena independente “eu dependo um pouco dos meus amigos, mas a gente faz um trabalho independente de coisas grandes, gosto de falar alternativo, pois não somos independentes, essa palavra me lembra independência do Brasil, a gente faz um trabalho que nos mesmos criamos e isso legal”. Wander ainda nos falou sobre a cena alternativa da década de 80 comparada a atual “a cena é a mesma, eu continuo trabalhando do mesmo jeito. O fundamento é o mesmo, só que eu sei mais coisas hoje, adquirimos experiência, trabalho com cultura da mesma forma de o final dos anos 70”.

Questionado sobre sua relação pessoal com os ex-s colegas de banda, Os Replicantes, Wander disse: eu saí da banda, esses dias encontrei o Cléber em um bar e há dois verões atrás, também nos encontramos na praia, frequentamos a mesma praia e passamos um dia lá. Os outros já faz mais tempo que eu não os vejo”.

Wander relatou sobre o Fest Malta, música, teatro e os festivais de verão “pra mim isso é o óbvio, deveriam existir mais festivais destes, eu acho que as pessoas gastam suas energias fazendo coisas, as quais não me interessam muito. Esse festival como outros que existem, pra mim é o normal, eu vivo isso desde que eu comecei a fazer teatro desde 1979, a gente participava do Filho da Terra, eu ia no festival: Vivendo a Vida de Lee. A minha escola é de festival, então pra mim eu estar tocando aqui é normal, acho que pouca gente faz esse tipo de evento, as pessoas gastam energias fazendo umas merdas de coisa, mas é o ser humano e eu não posso fazer nada quanto a isso. Eu imagino que muita gente gostaria de estar aqui, mas eles estão distantes disso, mas é o caminho de cada um, sei que é uma pena que tenham poucos festivais assim".

Em relação a sustentação da cultura alternativa, em seus diversos setores, Wander disse: “tem vários grupos que trabalham, cada região e cada um tem um jeito de fazer as coisas. E essas formas virão de acordo com as influencias culturais e sociais de cada um. Hoje em dia existem muitos grupos e cada um acha o seu, existem muitas uniões. E mesmo assim é muita pouca a relação cultural, o Brasil é muito atrasado, somos muito pobres, lá fora, por exemplo, na Europa as pessoas são mais espertas e inteligentes, elas usam mais a sua energia e aqui parece que têm que viver mais 1500 anos pra aprender o que é a Europa e se viver todos esses anos do jeito que o Brasil vive, nos estamos “fudidos”, tu vai lá e vê como funciona e faz aqui. Só que as pessoas não tem essa informação, elas não vão pra lá, a maioria não saí da sua cidade, porque aqui as pessoas ainda casam, tem filhos, fazem faculdade e tem uma casa e um carro, isso é muito estúpido e pobre e na Europa não é assim, eles podem até ter tudo isso, mas antes de tudo andam de bicicleta, vivem com pouco e não são consumistas, aqui somos e também uma cópia americana, daqui um tempo teremos a mesma crise que estão vivendo lá, enfim as pessoas vivem assim é o livre arbítrio e eu não posso fazer nada, cada um faz sua escolha”.

Falando sobre isso, durante a entrevista, lembrei-me da música do Replicantes, a qual fala sobre a Cerveja importada. Então o questionei, porquê nada se parece com a cerveja importada? “isso que bebemos aqui não é cerveja, tem produtos químicos, tem conservantes, a cerveja é uma formula de 3 coisas, água, malte e lúpulo e se tiver mais alguma coisa não é cerveja. Eu não estou inventando nada. Basta procurar no Google, se quiser tu vai lá e faz numa panela e toma com tua família e se gostar muito tu faz mais e vende na tua cidade, já em relação aos nossos vinhos, o da Colônia é bom já os industrializados são razoáveis, não são meus vinhos preferidos, são melhores hoje, pois foram renovados, não vivemos em uma região muito boa pra fazer vinho industrial e sim boa para cultivarmos vinho de mesa e de preferência branco. Eu por exemplo, não gosto do vinho Francês, eu gosto de vinho branco de Colônia, Maldeck Argentino e o espumante pode ser qualquer um, mas o daqui é bom.”

Para finalizarmos perguntei sobre um possível novo álbum, onde o Wander nos disse “isso não passa muito na minha cabeça, por que vou trabalhando e vai acontecendo é uma mistura de trabalho com acaso e o trabalho faz a estrada do acaso. Fiz um disco e agora estou fazendo shows, uma coisa que é básica, a minha vida é fazendo turnês, pois tu vive com música e tem que fazer elas, no meu caso é mais fácil, pois sou um versionista, faço elas do meu jeito, na verdade eu mais interpreto e toco guitarra, do que faço música, eu não faço música e letra há 6 anos.”

Após a entrevista filmamos os vários ambientes do festival, para postarmos no canal da Rádio Atitude Jovem no Youtube. E para finalizar com chave de Ouro o Fest Malta, o show de encerramento ficou por conta do Wander Wildner, que tocou versões de diversos clássicos, onde destacaram-se, as canções do rock gaúcho, Amigo Punk, Surfista Calhorda e Jesus Cristo Vai Voltar. O público ficou até o final e agitou mesmo após 3 dias de evento, provando que o gás da juventude é algo de atitude. Assim como o da organização que com muita luta e garra, soube trazer algo diferenciado e que com certeza ficara para a História do Rock n Roll, no Sul do Brasil, no qual passaram mais de 1300 pessoas, durante dos dias 21, 22 e 23 de janeiro de 2011, onde através da produção do camarada pata, muitas pessoas puderam viver momentos de paz, amor, música e empatia, deixando de lado a tecnologia dos celulares e da internet, (não havia acesso a nenhum desses meios no local) que muitas vezes nos ajudam, mas que na maioria das vezes nos aprisionam, assim como esse sistema capitalista que nos é imposto. Realmente vivendo esses dois dias em Ibarama, pudemos perceber que uma sociedade, sem violência, ganancia e egoísmo é possível, basta as pessoas entenderem o verdadeiro sentido da vida, que é bem simples: viva em coletividade e deixe de lado as individualidades deste sistema caótico.

Após o fim do evento por volta das 23 horas, seguimos viagem até o trevo do Gauchinho em Cruz Alta, quando chegamos por volta da uma da madrugada, onde dali os camaradas de Julio de Castilhos continuaram o trajeto até a sua cidade.


Confira os links com mais divulgação do evento:




Mais Fotos do evento no orkut da Rádio Atitude Jovem:
http://www.orkut.com.br/Main#EditPhotos?uid=10342418090368572754&aid=1295889497&full=2&first=1

Videos no canal, do Youtube da Rádio Atitude Jovem:
http://www.youtube.com/user/radiowebatitudejovem

Entrevista em aúdio com Wander Wildner e mais - divulgação ao vivo a partir das 19 horas do dia 25 de janeiro de 2011, no site radioatitudejovem.com

POSTADO PELO JORNALISTA DIONES BIAGINI – RÁDIO ATITUDE JOVEM

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Rádio Atitude Jovem promove Ação Cultural com o objetivo de trazer Os Replicantes para a 5ª edição do Porão do rock Festival



Após a cobertura do show dos Replicantes e a entrevista com esta lendária banda dos anos 80, que fizemos no mês de novembro em Santa Maria, tivemos a ideia de criarmos uma ação cultural, para podermos arrecadar fundos para trazermos juntos, Os Replicantes, para a 5ª Edição do Porão do Rock Festival, em 2011. Quem participar desta ação estará concorrendo a um violão autografado pela banda. E a ideia inicial é que este prêmio seja entregue pelos músicos ao vencedor. O resultado será divulgado no dia 26 de janeiro pela loteria federal - 1º Prêmio Extração das 18 horas.

Participe pela internet: você pode contribuir com esta Ação Cultural para trazer Os Replicantes em 2011, escolhendo um número de 1 a 1000 e nos solicitando pelo email dionescobain@yahoo.com.br ou online no msn radiowebatitudejovem@hotmail.com e depois basta depositar o valor do número na conta:

Banco Banrisul
Agência: 0190
Nome: Diones da Silveira Biagini
Conta: 35.113818.0-5








domingo, 12 de dezembro de 2010

Mais uma da Rádio Atitude Jovem: Confira a cobertura do show e a entrevista com a maior banda independente do Brasil, o Velhas Virgens






























































































































Ao saber que a maior banda independente do Brasil, o Velhas Virgens, estaria em Santa Maria, resolvemos viajar até lá, de ônibus de linha, para fazermos a cobertura pela Rádio Atitude Jovem deste importante evento para a cena independente. Embarcamos no bus Cruz Alta/Santa Maria, às 19 horas do dia 9 de dezembro de 2010, chegando a Santa Maria não foi difícil encontrar o local, a Boate Kiss, com uma mega estrutura preparada para shows de grande porte.

Logo, já pudemos perceber que o público da cena rock e frequentadores assíduos da boate formavam fila em frente ao local. Em meio a muitos ambientes, seguimos logo a pista de shows, onde percebemos a casa lotada em todos os ambientes, onde mais de 2000 pessoas fizeram-se presentes.

Eram mais de meia noite, quando a banda Tia Sica, de Canela-RS, abriu os trabalhos tocando clássicos do rock n roll, fazendo covers de Raulzito a Cely Campelo. Trazendo muita irreverência no palco, já pudemos perceber que a noite ia basear-se em três temas: b.u.c.e.t.a, cerveja e Rock n Roll, uma vez que foram diversas as vezes que o vocal da banda de abertura incitou tais palavras, aquecendo o público e dando uma prévia do que estava por vir, Velhas Virgens, que entraram sem muita demora. Após a introdução que levou o público abaixo, com o refrão “Agora eu vou... eu vou... pra dentro da garrafa”, abertura perfeita para um show das Velhas Virgens. Após surgiu a canção “Tudo que a gente faz é pra ver se como alguém”, seguida por “Toda puta mora longe”. Não demorou muito para surgiu uma das músicas mais conhecidas do novo álbum “Ninguém beija como as lésbicas”, a canção “Cafajeste”, que com bela interpretação da vocalista Jujú, fez o público vir abaixo, também com a clássica “Abre essas pernas”, com direito a muito rock e performance de palco. Outro momento marcante do show foi na música Siririca Baby, sonzera que intimidou alguns casais e excitou outros, a partir de gritos enlouquecidos hora por algumas mulheres que gritaram sem timidez, eu toco siririca baby, hora pelos homens que gritavam em coro eu toco bronha.. eu toco bronha, canto que uniu-se no final da música, fazendo a casa vir abaixo, entre bronhas e siriricas.

E para quem não foi ao show posso resumir o que aconteceu por lá em cinco temas: Rock, Safadeza, Cerveja, Teatro e Bom Humor; através dos loucos discursos do Vocalista/Gaita Paulão de Carvalho, que foram desde o sexo até as modinhas musicais da atualidade, onde sentiu-se a vontade ao esculachar com muita franqueza e certeza o estilo Emocore, falando sobre suas músicas choronas e roupas coloridas. Paulão entrou com muita energia no palco com uma capa preta irreverente e saiu com a mesma energia de um garotão de 20 anos, ao vestir uma camiseta com a frase “Vai tomar no cú...”, agitou muito no fim do show, com a intro que também serviu de conclusão para aqueles que após mais de 2 horas e meia de show, ainda cantavam enlouquecidos, “Agora eu vou... eu vou, pra dentro da garrafa, agora eu vou... eu vou, pra dentro da garrafa...” refrão que resumiu a incrível sensação de muitos que ao verem Os Velhas Virgens no sul do Brasil, tiveram seus pedidos de fim de ano realizados pelo Gênio da Lâmpada, ou melhor, o Gênio da garrafa (música do novo álbum: Ninguém beija como as lésbicas).

E não é atoa que a banda é muito respeitada pelos fãs de Rock n Roll, que jamais se influenciam pela grande mídia e que segundo Paulão não abre as portas para eles, fingindo fazer com que a banda não exista. Fato que nos mostra que com muita organização e objetivo, tem como vencer na música independente, através de vias alternativas. E foi justamente pensando nisso, que fiz a primeira pergunta ao guitarrista/backing vocal e fundador das Velhas Virgens, Alexandre “Cavalo” Dias, em entrevista após o show, nos camarins “hoje tocar Rock n Roll é ser independente, eu posso perceber por São Paulo, hoje em dia tem muitas casas de shows e bandas, só que não rola grana, muitas bandas de vários estados foram pra Sampa, buscar um nicho de mercado. Mas ao mesmo tempo em que isso acontece, o sertanejo esta dominando a capital, assim como na década de 80, mas como tudo, isso vai e volta é tudo muito passageiro. Hoje em dia tem esse rock colorido, como foi Menudo nos anos 80, o que me deixa um pouco preocupado, é a falta de referência da nova geração. Mas a cena independente rock uma hora dominará de novo”, ressaltou Cavalo.

Cavalo ainda nos falou sobre a cena independente no Rio Grande do Sul, “esse estado é sempre do caralho, você faz por exemplo, um reff do ACDC, a galera vibra, saca a linguagem Rock n Roll, adoro tocar no RS, pretendemos gravar um dvd em Porto Alegre.”
Além disso, o guitarrista ao ser questionado sobre a ideia da letra “Ninguém beija como as lésbicas”, nos disse: “eu e o Paulão, viemos conversando faz tempo sobre as lésbicas, no nosso show tem um monte de moças que se beijam em frente ao palco, isso é legal é bonito de se ver, não é que elas beijem melhor é que elas beijam diferente é outro universo, elas são carinhosas, esse mundo bissexual é gostoso de ver, eu tenho 40 anos, na minha época era diferente, hoje é uma loucura, é saudável, a moçada tem mesmo é que saber o que quer da vida e se libertar.”

Ainda perguntei sobre o que mudou na banda dos anos 80 pra cá? “O espirito continua o mesmo, nos comparam com o ACDC, não que a gente faça um som parecido com eles, mas sim porque não perdemos nosso características iniciais da banda, não vamos mudar, temos nossa marca é nossa vida e ao mesmo tempo nossa perdição, nunca vamos ficar ricos com a música, mas vamos tocar até os 90 anos e teremos sempre alguém pedindo pra gente tocar o som Só pra te comer, eu não troco essa vida por nada, nem pra ser gerente do Bradesco.”

Sobre a questão de outras profissões, além da música, Cavalo nos falou: “vamos lá, o Vocalista Paulão de Carvalho - vocalista é produtor do Sbt, faz o Domingo Legal, ele ganhou muita grana na época do Fantasia, gravando a música do Programa, podendo comprar um apartamento. O Baterista Tuca Paiva - Baixista é advogado, eu tenho uma editora de Livros em Santos, o Símon - Baterista e o Roy Carlini – guitarrista, são Músicos, a Juliana Kosso (Juju) é Professora de Canto. Todos nos temos outros trampos, mas poderíamos viver de música, mas a gente que abrir nossos caminhos, temos outras bandas, temos filhos e tudo isso é muito divertido.
Pra finalizar Cavalo nos falou sobre o potencial das rádios e da internet, “tudo mudou pra banda, a partir da internet, quando fizemos o site em 1998, as pessoas devem acreditar na internet, as bandas não podem é sair gravando rapidamente espere o seu som amadurecer, leve sua música ao público, para saber se eles querem seu som, espere mais de um ano para gravar, não reclame de que as oportunidades não surgem, a gente toca B.U.C.E.T.A e as pessoas dão abertura pra gente. Se você tem um bom trabalho as portas irão abrir. Deixamos aqui o nosso alô para o pessoal que escuta a Rádio Atitude Jovem de Cruz Alta, vamos lá, curtir o Rock n Roll, curtir música boa que é o que interessa.

Conforme a vocalista da Velhas Virgens Juliana Cosso (juju) “antes das Velhas Virgens, já era independente e sempre lutei pelas coisas, por isso sei o quanto é difícil divulgar o seu som, ainda bem que existem os sites, as rádios na web, as Tvs, para aqueles que tem opinião possam escolher o que querem, fugindo daquilo que a grande mídia manda a gente engolir. Existe uma galera que gosta de coisas diferentes, mesmo assim o espaço ainda é muito pouco para muita gente de talento”.
Sobre o papel da mulher na música, a vocalista Juju nos disse: “mulher ainda sofre muito preconceito na música, já vivi isso, é muito complicado alguém abrir as portas pra você, podemos ver que existem poucas meninas que são conhecidas pela massa, geralmente as pessoas não olham o talento, querem tirar “casquinha”, porque é bonitinha e por ai vai. Então você tem que provar que realmente tem talento e não é mais uma mulher na música. Existem muitas mulheres com talento, a Melissa Crows, entre outras. Faz 2 anos e meio que estou na banda e entrei no lugar da Lili, que saiu para trabalhar com advocacia, eu fazia show com a Coiotes, abrindo para as Velhas Virgens e o Paulão gostava muito da banda e me convidou, inclusive ele já participou de um disco com a Coiotes, e assim acabei entrando na banda, pois já tinha uma relação boa com as Velhas, daí fiz alguns free lances, antes de entrar definitivamente e assim foi tranquila a minha entrada. Parecia que estava na banda a muito tempo, apesar de ter ficado meio surpresa no começo, pois nunca paguei de mulher gostosa, nem me acho, mas o Paulão me disse: “tem que ser você mesma”, ele foi muito maravilhoso comigo e eu respeito pra caralho o Velhas Virgens, pois é uma banda independente de verdade, é tudo na raça. Tudo que temos de mimos, foi porque os caras conquistaram, estou pegando carona na melhor fase da banda, eu só tenho que agradecer este convívio com pessoas legais, com fãs ótimos, não tenho nada a reclamar, todo mundo sabe o que é o personagem e o que é a Juliana. Fazem 10 anos que sou Professora de Canto em Jundiaí e também dou aulas particulares, atualmente também desenvolvo um projeto paralelo, que se chama Estranhos no Paraíso, um projeto inteiramente diferente do Velhas, algo mais na linha dos Beatles e Mutantes, uma parada mais calma, está sendo legal, pois inclusive os fãs que acompanham o Velhas estão se identificando com este novo som. Em breve iremos mixar e lançaremos lá em Jundiaí – SP, e depois divulgaremos na internet”.

Juju finalizou falando sobre o ótimo clima do público no show em Santa Maria: “foi muito bom ter tocado em Santa Maria pela primeira vez, senti a maior energia do público, foi lindo, é gostoso sair de casa e voltar dizendo, valeu a pena! Viemos de “busão”, raramente a gente viaja de avião, ficamos de 13 a 14 horas dentro do ônibus e foi “foda”, mas eu sou uma pessoa paciente, que não tenho problemas em ficar todo esse tempo dentro dele, pois o ambiente é legal e se não fosse, aí sim seria difícil. Você tem que ter paciência, força de vontade, tem que saber lidar com um grupo de pessoas, pois cada um tem uma cabeça e um gênio e é assim que a gente segue caminhando”.

A última entrevista da noite foi com o vocalista e fundador da banda, Paulão de Carvalho, que com muito bom humor começou falando sobre a grande mídia, internet e a relação com a banda Velhas Virgens. “As pessoas precisavam mais da grande mídia nos anos 80 e 90 e a internet é a grande libertadora de todo mundo, pois você vê que as bandas hoje em dia, em vez de dizerem: vendemos tantas mil cópias, eles dizem tivemos tantas visualizações no youtube! Vejamos como as coisas mudaram, não custa nada acessar, mas alguém vai começar a ganhar dinheiro com isso tudo e vai ser uma bosta. Mas hoje a internet ainda é um negócio ainda muito democrático, que permite que você coloque a sua banda hoje na rede e amanhã ela seja vista pelo mundo inteiro, mas só há um problema nisso: é o de você colocar um produto pra muita gente ver, que não esteja maduro, as vezes isso acaba derrubando um trampo, mas ainda assim a internet é o caminho. A independência permite que você trabalhe a qualidade e não o que o mercado esta querendo, até porque o mercado não sabe o que ele quer, essa coisa de grandes emissoras esta tudo indo para o buraco. Estamos vivendo um momento curioso e nós vamos ver a derrotada dessa merda toda, desses dinossauros que acham que mandam na cultura e que a cada verão inventam um novo som, isso vai ir tudo pro buraco, vai sobrar quem tem competência e quem é organizado".

Sobre os novos planos das Velhas Virgens e a possibilidade de irem para Europa, Paulão disse: “ir para Europa é o meu tesão pessoal, não é o do Cavalo, pois a gente canta em português e isso é muito complicado fora do Brasil, até mesmo em países de língua latina, as pessoas não entendem direito o que a gente fala, pois o nosso som tem muita gíria e putaria e talvez não funcione bem lá fora. Tocamos no Paraguai uma vez e eu tomei o maior coro de maricon que eu já ouvi na minha vida, porque estava cantando Siririca Baby e lá isso não é uma palavra pra masturbação feminina e por isso confundiram e acharam que eu era “viado”, também estou cagando para o que eles pensaram. Mas temos novos planos para 2011, ou seja, lançar a nossa cerveja, um dvd de documentário, que se encontra pronto e mais um dvd novo em homenagem aos 25 anos das Velhas Virgens, onde o público poderá escolher, um top 15 das melhores músicas das Velhas Virgens, que irão pro dvd. Enfim, como somos pais, eu estava falando pro guitarrista cavalo, pra gente fazer um disco infantil, com paródias dos nossos sons, por exemplo, ao invés de ser “Abre essas pernas”, pode ser “Troca essas fraldas pra mim mãe?”, risos. Enfim, o segredo de você sobreviver na cena independente e ter sempre planos novos e diferentes. E isso a gente tem de monte”.

Ainda perguntei ao vocal sobre a diferença entre a banda nos anos 80 e na atualidade: “fomos evoluindo, começamos em 1986, mas no começo não éramos uma banda madura, a gente lançou o primeiro disco em 1995 e daí já tínhamos mais trampo com 9 anos de banda. Eu acho que existe muitas pessoas politicamente corretas, muitas lutando pelos direitos da humanidade e as vezes as pessoas esquecem que a grande coisa da humanidade, é o toque, a carne, são os cinco sentidos, eu acho que falar de sexo ainda é muito revolucionário, discutir sobre lesbianismo, homossexualismo, sexo livre, de bebedeira, de putaria, ainda é uma discussão muito interessante e provavelmente vai se estender por muito tempo, bem mais do que se a Dilma é boa ou ruim e se o Presidente da França vai ser bom para o povo, ou se a mulher dele é gostosa. Acho que estamos discutindo uma coisa muito mais profunda que isso, que é a sexualidade humana, que é o amor, o prazer e o cacete a quatro. Por exemplo, tem uma mulher lá em Santos que tem 60 e poucos anos e que vai nos nossos shows sempre, ela diz: se eu tivesse Velhas Virgens quando era adolescente, eu não precisaria ter feito várias terapias e não tinha que ter escutado tanta merda! A religião usa o sexo para coagir as pessoas e nós temos a pretensão de fazer o contrário, a gente usa o sexo, a bebedeira e a boemia como forma de libertação, isso não é apologia às drogas e sim de tudo, use tudo, mas fique vivo".

Para finalizar a entrevista Paulão nos falou sobre a sensação de tocar em vários estados e sobre a moda Emocore na atualidade: “existem grandes bandas no nordeste, no sul, no centro oeste, a gente tem tocado por lá, no norte um pouco menos, mas lá conheço boas bandas. Hoje o pessoal sabe que pode formar uma banda e ser visto e isso acontece. Se bem que surgem algumas bostas como o Restart, mas os meninos gostam dos que eles fazem, se bem que eles não sabem que isso é uma bosta, eu não posso criticá-los, na real eu posso sim, vão tomar no cú”.

Para finalizar, o Paulão me indicou algumas bandas destaques do cenário independente. “Eu vou falar de uma banda de São Paulo, que é de um grande amigo meu, o vocalista Mário Bortolloto e que tem o Fábio Brum na guitarra, o Watanabe na outra guita, o Vecchione, filho do Oswaldo do Made in Brazil, numa puta cozinha e o Fábio Pagotto no baixo e a Lu Vitaliano no vocal, formam Os Vigaristas. Temos também a Saco de Ratos de São Paulo, enfim, antes você tinha ondas mandadas pela mídia e hoje você tem várias ondas em paralelo. Aqui no Rio Grande do Sul, temos o Cartel da Cevada de Porto Alegre, grandes cachaceiros vagabundos, inclusive participei do disco dos caras, com muito orgulho. Amanhã dia 10 de dezembro, em Erechim irei participar do show dos Novos Velhos, aqui do Rio Grande do Sul. Eu sempre procuro fazer essas jams. Mudando de assunto, mas seguindo a linha, estamos pra lançar dia 25 de janeiro de 2011, um novo disco de Carnaval em homenagem a nossa cidade, pois todo mundo fala bem do Rio de Janeiro, o Rio é uma mulher de bunda pra cima e São Paulo e Porto Alegre já são duas mulheres mais complicadas, então resolvemos fazer um cd para a nossa mulher mais complicada, que é São Paulo. Esse disco terá a participação do Paulo Miklos do Titãs, do Roger do Ultraje, do Nasi, do Vandi do Premêditando o Breque, entre outros. Por isso eu penso se eu consigo ligar para esses caras, que sempre foram meus ídolos, porque eu não vou dar uma força pras bandas que acham que a minha presença vai ajudá-los. Queremos tocar o Rock n Roll pra frente, não somos a locomotiva dessa porra, mas não somos o último vagão, na verdade nos somos o bar deste trem, risos."

Paulão deixou um alô para os ouvintes da Rádio Atitude Jovem: “galera da Atitude Jovem de Cruz Alta - RS, muita força pra vocês, desde sempre os caras querem nos manipular e as rádios na internet são uma ferramenta muito democrática e poderosa, por isso escutem boas músicas e não deixem o pessoal empurrar a banda do Fiuk na sua orelha, vá procurar coisas boas na internet e isso tem bastante, nada contra o Fábio Junior, sou fã dele, mas o Fiuk é um bosta”.

Para concluirmos este release com entrevista, percebemos que entre canções novas e antigas, O Velhas Virgens, com quase 25 anos de carreira, possui muito pique roqueiro, pois além de mostrarem muita energia no palco, mostraram-se ser verdadeiros guerreiros do Rock n Roll, pois acreditam no que fazem e contribuem intensamente para o crescimento da cena independente. Com muita inteligência e foco, principalmente dos fundadores, Paulão e Cavalo e da vocalista Juju, a banda viaja de busão ou de avião, mas sempre com a mesma essência, sacada e simplicidade que a maior banda independente do Brasil nos mostrou ter. Provando que existem formas bem humoradas de se discutir temas que norteiam a sexualidade do ser humano, assunto este que ainda deixa dúvidas na mente de muitos.

Após o evento fomos realizados e honrados para a rodoviária, onde esperamos o embarque das 5 horas e 45 minutos. Chegando em Cruz Alta, por volta das 07 horas e 45minutos do dia 20 de novembro.

Mais informações sobre O Velhas Virgens, você encontra no site www.velhasvirgens.com.br

Release, fotos e entrevista by Jornalista Diones Biagini.
Mais fotos podem ser vistas no orkut da Rádio:
no endereço: http://www.orkut.com.br/Main#AlbumList?uid=10342418090368572754&rl=mo